sábado, 13 de setembro de 2008

Heleno de Freitas

Heleno no Vasco da Gama; Heleno no América

Heleno de Freitas

Data de Nascimento: 12/12/1920
Local: São João Nepomuceno
Data de Falecimento: 08 de Novembro de 1959

Clubes:
Botafogo, Vasco da Gama, Boca Juniors, Atlético de Barranquilha (Colômbia), Santos e América (RJ).

Títulos

Campeão Carioca: 1949 (Vasco da Gama)
Copa Rocca: 1945 (Seleção Brasileira
Copa Rio Branco: 1947 (Seleção Brasileira)


Centroavante


Heleno, o craque, o artista da bola, o mito do futebol, o artista das multidões, o craque galã, o diamante branco, a elegância do futebol, são adjetivos, que perfeitamente se enquadram a figura ímpar de um gênio Chamado Heleno e alguns desses fazem parte do somatório de homenagens, que ao decorrer dos anos serviram também como meio de imortalizar o grande ídolo. Foi com a bola nos pés, levando a torcida ao delírio que Heleno deixou a marca de sua genialidade, se tornando uma das mais ricas histórias do futebol brasileiro.Seu futebol encantou o mundo e lhe rendeu fantásticas expressões e frases de grande efeito, como a que se encontra na estátua em sua homenagem em Barranquilla na Colômbia "EL JOGADOR".

Advogado, boêmio, catimbeiro, boa vida, arrogante, galã, mas um homem nervoso, quase intratável. Depois de onze anos jogando futebol, Heleno de Freitas entrou para a história como um dos maiores craques do futebol sul-americano. Suas jogadas e gols deslumbraram os torcedores.
Começou em 1934 jogando pelo juvenil do Botafogo, clube que aprendeu a amar, e logo se tornou sócio-atleta. Ainda nos juvenis, teve um rápida passagem pelo Fluminense. Retornou ao Botafogo onde permaneceu até 1948, quando foi contratado pelo Boca Junior da Argentina, onde passou pouco tempo. Quando voltou ao Brasil, vestiu a camisa do Vasco da Gama onde conquistou seu único título de campeão carioca em 1949. Brigou com o treinador Flávio Costa e foi jogar na Liga Pirata da Colômbia. Em 1951 retornou ao Brasil e assinou com o América carioca. No clube de Campos Sales somente jogou 35 minutos e foi expulso. Foi também, seu primeiro e único jogo no Maracanã. A partida foi contra o São Cristovão e o América perdeu por 3x1.

Em 1940, ele foi o centroavante botafoguense na excursão ao México e no certame carioca. Pelo mundo, exibiu criatividade, valentia e técnica. Em toda parte, ainda, atiçando o mulherio, os traços das suas beleza, elegância e inteligência. Mulherengo como o diabo, transava com qualquer raça e classe, alvinegra ou não. No Botafogo, obsessivo, quis incessantemente ser campeão. Mas até 1947 (seu último ano no clube), o único título que obteve foi o de bacharel em direito - diploma inútil para Heleno de Freitas, sem afã de advogar, ser delegado de polícia, promotor ou juiz.

Em 1945, pela seleção, fez o sul-americano no Chile, do qual saiu artilheiro. Ano seguinte, em Buenos Aires, deu show em outro sul-americano. E divergiu do técnico Flávio Costa no vestiário, onde o escrete se refugiara da pancadaria portenha. Apesar das hostilidades, Flávio exigiu a volta ao jogo. O brigão Heleno avisou que era temerário, pois talvez saíssem inutilizados. E essa hipótese, acresceu de Freitas, não se aplicava a ele, que tinha do que viver - no que foi apoiado pelo ponteiro Chico. Todavia, irredutível, o técnico impôs a volta. E pimba: pau generalizado. Na briga, os que mais apanharam - e bateram - foram Heleno e Chico, o que ficara com a sensata tese do botafoguense no refúgio do vestiário. Assim, o Brasil perdeu no placar e no braço. E o centroavante, coitadinho, ganharia a eterna inimizade do treinador Flávio Costa.

Com a fúria com que se portara na Argentina, ficou claro que Heleno estava doente. E ninguém sabia que era de sífilis cerebral, associada ao gênio difícil. A doença o atritava com cartola, companheiro, adversário ou juiz. E ao clube era prejudicial as expulsões de campo. Pior, a torcida inimiga descobriu como irritá-lo apelidando-o de Gilda - personagem sensual e neurótica de Rita Hayworth no cinema. Aí, só restou a proposta do Boca Juniors, em 1948: comprá-lo por um punhado de dólares. Isso magoaria o clube e o craque que, como deus e diabo, se amavam tanto, freudiana e dialeticamente prisioneiro um do outro... Nesse ano, Nílton Santos dava os primeiros passes no Botafogo. E Heleno casou com Hilma, filha de diplomata, colega do poeta Vinícius de Moraes. Este, dedicou ao noivo "Poema dos Olhos da Amada" - obra que seria seresta na voz do cantor Sílvio Caldas. Nessa época, entristecido, o futebol do Brasil percebeu que Heleno de Freitas, tão íntimo da bola, jamais se entenderia com os homens.

Heleno de Freitas era quase perfeito em tudo. Nos gols de classe. Nas jogadas de alta categoria. E nas cabeçadas maravilhosas. Entretanto, Heleno estava doente e não sabia. A sífilis corroia sua cabeça e isso lhe criava muitos problemas. Às vezes, não entendia os erros dos companheiros que lhe passava uma bola errada. Por isso, brigava com os colegas, xingava os adversários, discutia com os árbitros. Se Heleno de Freitas não fosse um craque maravilhoso, ninguém o suportaria. Foi campeão brasileiro e sul-americano defendendo por muitos anos as seleções cariocas e brasileiras.

Heleno ganhou fama e dinheiro. Viveu sempre entre mulheres bonitas e homens inteligentes. Em Buenos Ayres, quando jogou pelo Boca Junior, se tornou intimo da família do presidente Peron. No Museu do Esporte, existente na Colômbia, foi erguido um busto em sua homenagem e as grandes jogadas que tanto encantaram os colombianos.

Heleno nunca quis ir ao um médico para fazer um exame rigoroso e um tratamento sério da doença que o atormentava. Ele era genioso e quando abandonou o futebol, por insistência de amigos e parentes, foi examinado e constatado sífilis na cabeça em estado bastante adiantado. Heleno teve que ser internado num sanatório na cidade de Barbacena em Minas Gerais. No dia 8 de dezembro de 1959, a imprensa brasileira noticiava a morte Heleno de Freitas. Morria um dos mais elegantes jogadores do futebol brasileiro. O enterro aconteceu na sua cidade natal, São João do Napomuceno, em Minas Gerais. Morreu longe da torcida, dos dirigentes e com companheiros. Entretanto, a cidade chorou a perda do seu filho mais ilustre.

Em Buenos Aires, o tormento psíquico afastou-o da mulher grávida. E sem ele o Botafogo ganharia o título de 48. Não agüentando, Heleno foi para o Vasco no início de 1949. Em São Januário, fez-se campeão pela única vez na carreira. Viveu em paz até que, num coletivo, saiu de campo esbravejando: "Estes dois (apontou Maneca e Ipojucan) não me passam a bola porque não querem. Aqueles (indicou) não passam porque não sabem. Não tenho nada a fazer aqui". Mais adiante, discutindo com Flávio Costa, apontou uma arma descarregada. Foi o bastante para que o Vasco o liberasse para o Atlético de Barranquilla, da Colômbia, onde jogavam Tim e outros astros.

Em 1953, a família o internou na mineira cidade de Barbacena, onde um amigo dele era médico numa casa de saúde. No início, o sifilítico embrenhou-se nas trevas insondáveis da loucura. Depois, uma revista o mostraria de pijama, obeso e triste. Por fim, só como um navio sem porto e sem condição mental de pedir um padre, ele morreu em 8 de novembro de 1959. Isso sem saber que o País vencera na Suécia. Sem saber que seria filme (Heleno, de Gilberto Macedo) ou peça teatral (Heleno-Gilda, de Edilberto Coutinho). E sem tempo para ler isto de Armando Nogueira: "O futebol, fonte das minhas angústias e alegrias, revelou-me Heleno de Freitas, a personalidade mais dramática que conheci nos estádios deste mundo".

Fonte: http://www.botafogopaixao.kit.net/helenodefreitas.htm

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