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sábado, 14 de março de 2009

Sylvio Pirilo

Crédito: www.museudosesportes.com.br
Sylvio Pirilo é gaúcho de Porto Alegre e nasceu no dia 26 de julho de 1916. Começou no Americano do Rio Grande do Sul em 1936. Depois passou o Internacional em 1937. Penarol do Uruguai em 1938. Flamengo de 1939 a 1947 e Botafogo em 1948. Somente foi campeão carioca pelo Flamengo no tri campeonato de 1942.1943.1944 e campeão pelo Botafogo em 1948. Foi campeão brasileiro de seleções pelos cariocas. Pirilo faleceu no dia 22 de abril de 1991 em porto Alegre.

Centroavante rápido, de drible cortante e excelente visão de jogo. Juntava a tudo isso, uma coragem que poucos atacantes brasileiros apresentaram, antes e depois dele.
Começou sua carreira no extinto Americano do Rio Grande do Sul, passando depois ao internacional. Fez sucesso e logo foi contratado pelo Peñarol, numa época em que o futebol uruguaio costumava levar vários dos nossos principais jogadores. Do Peñarol, retornou ao Brasil para defender o Flamengo, onde foi um dos maiores artilheiros da história do clube com 201 gols. O gaúcho o só fez menos gols com a camisa do Flamengo do que Zico (568), Dida (244) e Romário (204). Pirilo estreou logo na decisão de 1941 contra o Fluminense, substituindo o craque Leônidas da Silva, que se transferira para o São Paulo.
Apesar dos seus dois gols na partida, o famoso Fla x Flu da Lagoa na decisão do Carioca de 1941, o Fluminense foi campeão com o empate de 2x2.

Jogando de centroavante, foi um jogador fundamental na conquista do primeiro tri-campeonato do clube (1942/43/44). Pirilo ainda hoje é o recordista de gols num campeonato carioca com a incrível marca de 29 gols. Depois do Flamengo, defendeu o Botafogo, com o qual foi campeão carioca de 1948, vencendo o Vasco numa final histórica e cercada de lendas, das quais João Saldanha é uma das figuras principais.

Encerrou sua carreira no Botafogo e logo depois tornou-se treinador de grande sucesso. Coube-lhe a primazia de ter sido o primeiro a convocar Pelé para a Seleção, em 1957, para a disputa da Copa Roca contra os argentinos no maracanã.

Fez cinco partidas com a camisa da Seleção Brasileira, marcando seis gols.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Pedro Amorim

Pedro Amorim

Crédito: http://www.museudosesportes.com.br/
Pedro Amorim, Ademir, Simões, Orlando e Rodrigues é uma linha de ataque com um destaque especial na galeria das conquistas do Fluminense. São os atacantes do super campeonato de 1946, quando o Fluminense, depois de dois turnos disputadíssimos, acabou empatado no primeiro lugar com o Flamengo, Botafogo e América. Era o tempo do campeonato de dois turnos com pontos corridos e um jogo em casa e o outro do campo do adversário.

O supercampeonato foi um extra duríssimo. Em cada time, cinco ou seis cracões e duas ou três feras de desequilibrar qualquer jogo. Tinha o Botafogo de Heleno de Freitas, Geninho, Ary, Nilton e Tovar. O América assustava com a famosa linha atacante “tico tico no fubá” – China. Maneco. César. Lima e Jorginho. O Flamengo desequilibrava com Biguá. Jayme de Almeida. Zizinho, Luiz Borracha e Vevé.

Pedro Amorim comenta que o super campeonato foi muito difícil, tecnicamente bom e emocionante. Cada partida era uma decisão e sempre com os estádios lotados. E o ponta direita tricolor tem muitas recordações daquele campeonato.
- "Três foram especiais e todas no jogo final contra o Botafogo quando vencemos por 1x0 e conquistamos o titulo. Primeiro porque dei o passe para o gol de Ademir que definiu o campeonato. Depois por um episódio de certo modo sentimental, Heleno de Freitas, embora adversário de clube, era um dos meus maiores amigos. Sempre que possível estávamos juntos fora dos gramados. Ele estudava Direito e eu Medicina. Muitas vezes trocamos idéias sobre os estudos. Eu tomando minha cervejinha, ele com aquele porte elegante, sempre esnobe, sorvendo um gim tônico em copo enfeitado com uma casquinha de limão. Numa dessas ocasiões, antes do super campeonato fizemos uma aposta – Se os dois times disputassem a final, que perdesse pagaria a noitada do outro: bebida, jantar e até uma esticada a uma casa noturna".

Pedro Amorim lembra que a finalissima mexeu com toda a cidade do Rio de Janeiro.
- "São Januário lotou cedinho. Já no campo corri para o Heleno e falei da aposta. Como se não tivesse ninguém pela frente, ele ironizou. Apostava o carro, o apartamento na Zona Sul e o salário. Foi um jogo nervoso. Heleno fez um partidão. Criou grandes jogadas de gol e numa delas colocou seu ponta esquerda Braguinha na cara do nosso goleiro Robertinho. Era só trocar e a bola entrava. Robertinho nem se mexia, batido por antecipação. A torcida do Botafogo estava preparada para comemorar o gol quando Braguinha enfiou o pé e a bola passou por cima da trave. Logo depois Ademir fez o nosso gol. Quando o juiz encerrou o jogo procurei o amigo Heleno. Ao me ver, ficou meio sem jeito. E como quisesse evitar que o ironizasse pela vitória e pela aposta, reagiu com uma frase inesquecível: Também, Pedro, jogando com o Braguinha..."

Pedro Amorim deixou a Bahia e foi para o Rio de Janeiro muito moço. Unia o útil ao agradável: Medicina e futebol. E realizou seu o sonho de conhecer o Rio, suas praias, suas noites encantadas, seu povo, enfim, uma filosofia de vida bem diferente da então pacata e bucólica Salvador. Jogou sempre no Fluminense e vestiu também a camisa da seleção carioca e brasileira. Ganhou títulos, dinheiro, fama e se formou em Medicina. Mas a glória, a grande lembrança foi o supercampeonato de 1946, com o técnico Gentil Cardoso. E encerra escalando a equipe do Fluminense: "Robertinho. Gualter e Haroldo. Pascoal, Telesca e Bigode. Eu. Ademir. Simões (Careca jogou a final). Orlando e Rodrigues. Que time! A gente jogava por musica!"

Fonte: http://www.museudosesportes.com.br/

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Carlinhos


Carlinhos (ex-volante do Flamengo)


Jogador de estilo refinado no meio de campo, Carlinhos, o Luís Carlos Nunes da Silva, hoje vive no Rio de Janeiro (RJ). Trabalhou por muitos anos no Flamengo, sua segunda casa, como ele mesmo sempre disse. Foi técnico vencedor no rubro-negro, comandando a equipe nas conquistas da Copa União de 1987 e do Brasileirão de 1992.

Nascido no dia 19 de novembro de 1937, Carlinhos começou a carreira de jogador nos infantis do Flamengo. Defendeu a equipe profissional por 15 anos, entre 1955 e 1970. Nesse período, Carlinhos ajudou o Fla a conquistar os títulos estaduais de 1963 e 1965 e do Torneio Rio-São Paulo de 1961. Alguns de seus companheiros de Flamengo foram Joubert, Dequinha, Jadir, Dida, Henrique Frade, entre outros.

Foi treinador do Flamengo em diversas oportunidades e sempre foi considerado um pé-quente no clube. Chegou a dirigir outras equipes, entre elas o Guarani, mas ficou marcado mesmo como o Carlinhos da Gávea.

Tranqüilidade

Carlinhos sempre foi um dos profissionais mais queridos na história do Flamengo. O jeito tranqüilo, pacato e amigo muitas vezes serviu para “apagar incêndios” na Gávea. Por muitas ele foi chamado para ser o treinador do rubro-negro. A primeira vez como uma espécie de técnico “tampão”. Na primeira passagem, em 1987, Carlinhos dirigiu a equipe por apenas seis partidas (duas vitórias e quatro empates).

No mesmo ano, ele foi novamente chamado. Conseguiu bons resultados e foi efetivado no cargo. Ficou como treinador do rubro-negro até 1988. Neste período, ele dirigiu a equipe em 55 partidas (29 vitórias, 15 empates e 11 derrotas) e conquistou o polêmico título da Copa União de 1987. Carlinhos comandava a equipe que tinha Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Como era conhecer dos talentos que brotavam nas categorias de base do Fla, Carlinhos foi responsável direto pela efetivação de Leonardo, Zinho, Aílton, entre outros, na equipe principal.

Entre 1991 e 1993, Carlinhos voltou a comandar a equipe rubro-negro e mais uma vez teve sucesso. Foram 112 jogos (63 vitórias, 29 empates e 20 derrotas). O principal título conquistado nesse período foi o de Campeão Brasileiro de 1992. Carlinhos era o comandante da equipe fora das quatro linhas. Dentro delas, o líder era o meio-campista Júnior, já quase um “quartentão”. Em 1999, o “Violino” foi técnico da equipe em 65 jogos (36 vitórias, 12 empates e 17 derrotas). No ano seguinte, ele dirigiu a equipe em mais 38 confrontos (16 vitórias, nove empates e 13 derrotas).

por Rogério Micheletti

Fonte consultada para números: “Almanaque do Flamengo”, de Roberto Assaf e Clóvis Martins


Fonte:http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/QFL/Conteudo.aspx?id=80155

domingo, 9 de novembro de 2008

Tovar e Heleno de Freitas


Dois craques do Botafogo de 1946.
Tovar foi um craque que demorou pouco no clube de General Severiano. Jogava e estudava. Quando se formou em medicina deixou o futebol.
Heleno também se formou em direito mas preferiu continuar jogando futebol. Era um craque mas seu temperamento e uma doença que lhe afetou a cabeça fez com que ele tivesse muitos problemas e terminasse sua vida em uma casa de saude.

Saída de Jair Rosa Pinto do Flamengo


Jogando contra o Arsenal, em São Januario, Jair era o craque do Flamengo e foi o craque do jogo. Meses depois, o mandaram embora, acusado de fazer corpo mole. A foto é do jogo com o Arsenal da Inglaterra.
Em pé: Biguá. Bria. Beto. Job. Garcia e Juvenal.
Agachados: Bodinho. Gringo. Durval. JAIR e Esquerdinha.

Jair da Rosa Pinto tinha 28 anos e num domingo de 1949 enfrentaria sua ex-equipe, que estava mais forte do que nunca, enquanto seu atual time vinha sendo formado por veteranos como Bria, Jaime, Gringo e Esquerdinha. Dava para comparar ? E ainda tinha queriam que ele dissesse que ia ganhar.

Quando lhe perguntaram ganhamos do Vasco ? - Jair levantou os olhos e viu a figura de Ary Barroso, popularíssimo narrador de rádio e rubro negro fanático.
Ganhamos Jair ? – Não sei, não – respondeu seu entusiasmo – Se Deus ajudar...

Abatido por causa de certas incompreensões de que se julgava vitima e pessimista por conhecer o poderio do Vasco, Jair estava desanimado principalmente com o técnico do Flamengo, Kanela, que viera do basquete e criara para o jogo uma tática complicada. Ele queria que Jair fizesse um tipo de marcação em Danilo que lhe exigiria uma intensa mobilidade no gramado. Jair não gostava disse, discutiu com Kanela e pediu para não ser escalado.No domingo, porém, voltou atrás e todas suas previsões começaram falhando. O Flamengo fez 2x0 e partiu para uma goleada sobre o imbatível Vasco da Gama. De repente, num ataque rápido, Jair ficou frente a frente com o goleiro Moacir Barbosa, considerado o melhor do Brasil. O que se passou naquele momento ninguém mais conseguiria reconstituir com exatidão. Presença de espírito de Barbosa, que fechou o ângulo ? Nervosismo de Jair ? O fato é que a bola foi para fora. E a partir daí ocorreram duas coisas espantosas: o Flamengo inteiro se encolheu, com Jair se escondendo para trás do grande circulo, e o Vasco iniciou uma fulminante reação, marcando um, dois, três, quatro, cinco gols. Final: Vasco 5x2.

Ary Barroso, transmitindo a partida, não pôde conter sua indignação pelo que via. Aquilo era uma vergonha, algo indigno das tradições rubro negras. Ao microfone, relembrou seu diálogo com Jair na concentração. – “Um covarde” – bradava o locutor, para quem o jogador, depois de sua resposta, de seu gol perdido e de sua omissão, não tinha condições de defender o Flamengo. E incitou a torcida, pelo ar, a queimar a camisa de Jair.

Até morrer, em 1964, Ary Barroso garantiu que a camisa fora queimada. E até enquanto estava vivo, embora detestava abordar o assunto, Jair afirmava o contrário. A camisa realmente queimada durante a revolta irada dos flamenguistas foi uma camisa qualquer, apanhadas ao acaso para simbolizar o inconformismo da massa.

Jair ficou inconformado e não poderia continuar no Flamengo nem no Rio de Janeiro. Uma semana depois, se transferiu para o Palmeiras e recomeçou tudo outra vez.

Fonte: www.museudosesportes.com.br








terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ademir Menezes



Nome: Ademir Menezes
Apelido: Queixada
Nome Completo: Ademir Marques de Menezes
Nascimento / Falecimento: 8 novembro 1922 / 11 maio 1996
Posição: atacante
Seleção: brasileira
Copas: 1 (Brasil, 1950)
Início / Fim da carreira: 1938 / 1956


História

Bigode fino, cabelos com brilhantina e sapatos bicolor. Só isso já seria o bastante para fazer de Ademir Marques de Menezes um tipo notável. Mas havia o queixo, um respeitável queixo, que lhe rendeu o apelido de "Queixada". E havia também os gols, marcados de balaio com a cabeça, pé direito, esquerdo, barriga ou qualquer outra parte do corpo. Ademir fez história no futebol brasileiro como um dos mais fortes e velozes atacantes que já vestiram a camisa amarela da Seleção. Poderia estar entre os maiores de todos os tempos não fosse a fatalidade daquela final na Copa de 50, quando o favoritíssimo Brasil perdeu para o azarão uruguaio. Ademir esteve para o Mundial do Brasil como Maradona para a Copa de 86 ou Romário para o tetra de 94. Na Copa de 50, Queixada foi o artilheiro com nove gols em apenas seis jogos e simplesmente arrasou. Mas o Brasil não levantou o caneco e Ademir também não se tornou uma estrela planetária.

Insuperável nas arrancadas com a bola sob controle (chamadas na época de "rush"), sempre fulminantes, e capaz de concluir com os dois pés com uma imensa precisão. Artilheiro nato, raramente perdia gols em lances na pequena área. Seu estilo de jogo deu origem a posição de “Ponta de Lança”, sua versatilidade em atuar em qualquer posição do ataque e sua habilidade nas arrancadas a caminho do gol obrigou a adoção de novos sistemas de jogo pelos técnicos para tentar contê-lo.

Não tomava grande distância da bola para chutar, sem mudar o passo, partia para bola surpreendendo muitas vezes o goleiro. No time que jogava, longos lançamentos eram feitos pra aproveitar sua velocidade. No Vasco teve lançadores fenomenais, como Ipojucan e Danilo (“o Príncipe”).
Ele começou a carreira no Sport-PE, como juvenil, em 1937, descoberto pelo técnico uruguaio Ricardo Diez. Em 1941, com apenas 19 anos, começou a ganhar fama ao conquistar o título do Campeonato Pernambucano de 1941. De quebra, foi artilheiro com 11 gols. Recife começava a ficar pequena para o seu futebol.

Ademir chegou a São Januário em 1942, sem concluir a Faculdade de Medicina, onde cursava o quarto ano, em Recife. As arrancadas irresistíveis e a incrível capacidade de conclusão logo o transformaram em um ídolo da torcida. Foi campeão carioca em 1945 e trocou o Vasco pelo Fluminense no final da temporada, na chamada transferência da década. Com 301 gols em 429 partidas, Ademir tornou-se o maior ídolo e artilheiro da história do Vasco da Gama, até ser ultrapassado em números de gols por Roberto Dinamite. Pelo Vasco, integrou um dos maiores times da história do futebol mundial, o “expresso da vitória”, pelo qual conquistou inúmeros títulos.

Gentil Cardoso, treinador que marcou época, dissera aos dirigentes do tricolor: "Dêem-me Ademir que lhes darei o campeonato". Não deu outra. Ademir ajudou o Fluminense a conquistar o Campeonato Carioca de 1946. Mas a sua estadia nas Laranjeiras durou pouco: no ano seguinte, regressou ao Vasco.

Ao marcar o gol da vitória de 1 a 0 sobre o Botafogo no jogo final, em São Januário, o Tricolor sagrou-se campeão em 1946 , no torneio mais emocionante da história do Campeonato Carioca , pois sendo disputado por pontos corridos terminou com quatro equipes empatadas em primeiro lugar, sendo necessária uma disputa extra entre eles que ficou conhecida como Supercampeonato. De volta à São Januário, ele foi campeão do Rio de Janeiro em 1947, 1949, 1950, 1952 e 1956. Também ganhou o Campeonato Sul-Americano de Clubes, disputado em Santiago, no Chile, em 1948.

Em 1949, jogando o Sul-Americano pela seleção brasileira, Ademir marcou quatro gols no goleiro paraguaio Garcia. Algum tempo depois, quando Garcia se transferiu para o Flamengo, Ademir sempre conseguia marcar no mínimo um gol. “Não que o Garcia não fosse bom goleiro, até pelo contrario. Ele era um ótimo goleiro, apenas eu dava sorte quando jogava contra ele”. Por isso Ademir chegou a ser chamado de "Carrasco do Flamengo".

Apesar de seu passe ter custado apenas 800 mil-réis, Ademir foi o primeiro profissional a exigir luvas (40 contos), mas o Vasco pagou 45 contos e venceu a disputa com o Fluminense para tirá-lo do Sport Club do Recife. Seu salário era de 500 mil réis.

Pela Seleção Brasileira, Ademir Menezes disputou 41 partidas e marcou 35 gols. Seu principal título foi o Sul-Americano de 1949. Artilheiro notável, fez nove gols em seis jogos e é um dos dois únicos brasileiros (o outro é Leônidas) a fazer quatro gols em apenas um jogo de Mundial ­na goleada contra a Suíça. Depois da Copa, sofreu lesões no pé e nos meniscos que o afastaram durante meses dos gramados. Já em 1956, com apenas 31 anos, pendurou as chuteiras no Vasco. Morreu no Rio, em 1996, vítima de câncer na medula. Em julho de 1999, o Sport mandou construir uma estátua de dois metros de altura, em frente à sua sede, para homenagear o ídolo.


Clubes

- Sport Recife: 1938/1941;
- Vasco da Gama: 1942/1945 e 1948/1955;
- Fluminense: 1946/1947.


Principais fatos

- Artilheiro do campeonato carioca: 1949, 1950;
- Artilheiro do campeonato pernambucano: 1941;
- Artilheiro da Copa do Mundo: 1950;
- Artilheiro do torneio Rio-São Paulo: 1951;
- Campeonato Brasileiro: 1943, 1944, 1946 e 1950;
- Campeonato Carioca: 1945, 1949, 1950 e 1952;
- Campeonato Pernanbucano: 1940 e 1941;
- Copa América: 1949;
- Copa Libertadores: 1948;
- Copa Rio Branco: 1947, 1950;
- Copa Roca: 1945;
- Copa Oswaldo Cruz: 1950;
- Jogos Panamericanos: 1952;
- Supercampeonato Carioca: 1946;
- Torneio Octogonal do Chile: 1953;
- Torneio Quadrangular do Rio: 1953;
- Torneio Rivadavia Corrêa Meyer do Rio de Janeiro: 1953.

Fonte: http://geniosdofutebol.blogspot.com/2006/09/ademir-menezes.html

domingo, 5 de outubro de 2008

Didi



Didi: o Príncipe Etíope da Folha Seca

por: Daniel Batista

Didi foi um dos maiores jogadores do futebol mundial . Craque que ganhou o apelido de Príncipe Etíope devido seu estilo clássico e elegante de atuar em todos os times que passou pela sua vitória carreira, e também Folha Seca, decorrente de seu chute de longa distância que ganhava um efeito impressionante. Tudo começou em 1943, no time infantil do São Cristóvão. Ainda nas categorias de base, defendeu o Industrial, Rio Branco, Goytacaz e Americano.

Sua carreira quase foi interrompida quando ainda tinha 14 anos. Uma infecção no joelho, sofrida durante um jogo, o deixou em uma cadeira de rodas e quase teve que amputar a perna. Mas o tempo fez com que o futuro craque se recuperasse, a tal ponto de encantar o mundo com seu futebol.

Dois anos depois da doença, Didi já estava atuando em jogos oficiais. Em 1945, defendeu o Americano de Campos, e em seguida foi para o Lençoense e Madureira. No ano seguinte seguiu para o Fluminense, onde passou dez anos e ficou marcado com um dos melhores jogadores da história do Tricolor carioca, marcando quase 100 gols pela equipe. Além disso, o Príncipe Etíope foi o primeiro jogador a marcar um gol no estádio do Maracanã. Isso aconteceu na derrota da Seleção Carioca para a Paulista, por 2 a 1.
Em relação ao apelido Folha Seca, Didi inventou a jogada em 1956, quando defendia o Fluminense em uma partida contra o América, pelo Campeonato Carioca. Machucado, o ex-jogador não podia dar chutes fortes de longa distância, por isso ele inventou uma nova forma de bater na bola. Acertava o meio da mesma que fazia uma curva espetacular e enganava o goleiro.

No mesmo ano se transferiu para o Botafogo, onde também deixou sua marca. Em 313 jogos, foram 113 gols marcados. Em 1957, Didi cumpriu uma promessa curiosa. Campeão Carioca daquele ano, o ex-jogador atravessou a cidade do Rio de Janeiro caminhando como forma de agradecimento. A boa fase, aliada ao título da Copa do Mundo, fez com que o Real Madrid, de Puskas e Di Stefano, despertasse o interesse no brasileiro e o contratasse. Porém, Didi não brilhou na Espanha, e teve uma modesta passagem pelo futebol europeu.

No final da carreira, Didi ainda passou pelo São Paulo, em 1964 e 66. Sem a mesma condição física, o jogador não teve o mesmo sucesso que no futebol carioca. Além disso, o Tricolor paulista não tinha um grande time na época, devido a todo investimento estar sendo feito na construção do estádio do Morumbi. O final de carreira, aliado ao fraco time, fez com que o Folha Seca tivesse uma discreta passagem pelo futebol paulista.

Quando o assunto é Seleção Brasileira, Didi também foi vitorioso. Em 1954 fez parte da seleção que disputou o Pan-Americano e depois foi para Copa do Mundo na Suíça. Quatro anos depois, a consagração: campeão e eleito o melhor jogador do Mundial de 58. Seguindo a trajetória vitoriosa, foi bicampeão em 62, no Chile, dividindo o status de craque do time com Mané Garrincha.

Em 1964, Didi decidiu aposentar da carreira de jogador e virar técnico de futebol. Como treinador, passou por vários times, mas sua maior conquista foi montar a seleção do Peru, que disputou a Copa do Mundo de 1970 e que foi eliminada pelo Brasil, nas quartas-de-final, por 4 a 2. Folha Seca abandonou definitivamente o futebol em 1987, após uma operação na coluna. Em 12 de maio de 2001, Didi, com 71 anos, faleceu decorrente de problemas cardíacos. Um ano antes havia entrado no Hall da Fama da Fifa, que tem entre outros gênios da bola, Beckenbauer, Pelé e Platini.

Dados

Nome: Valdir Pereira
Nascimento: 08/10/1929, em Campos, no Rio de Janeiro
Clubes:
- Como jogador: Americano, Madureira, Fluminense, Botafogo, Real Madrid e São Paulo
- Como técnico: Sporting Cristal e Alianza Lima (Peru); Vera Cruz (México); River Plate (Argentina), Fenerbahce (Turquia) Al-Ahli (Arábia Saudita), Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Bangu (Brasil)
Títulos:
- Como jogador: Campeonato Carioca: 1951 (Fluminense), 1957, 1961 e 1962 (Botafogo);
Torneio Rio-São Paulo: 1962 (Botafogo); Copa do Mundo: 1958 e 1962 (Seleção Brasileira)
- Como técnico: três vezes campeão do Peru pelo Sporting Cristal, cinco vezes campeão turco pelo Fenerbahce e três Copas do Rei e um campeonato do Golfo pelo Al-Ahli Club Jeddah (da Arábia Saudita)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Zico


Arthur Antunes Coimbra, o galinho de Quintino

Zico nasceu no dia 3 de março de 1953, em Quintino, subúrbio do Rio de Janeiro, em uma casa onde se respirava futebol. Seus irmãos mais velhos, Edu e Antunes, com fama de habilidosos, já jogavam no América quando o garoto, aos 13 anos, resolveu seguir a mesma carreira. Entretanto, foi tentar uma vaga no juvenil do Flamengo, seu time do coração.

Tinha muita habilidade, mas faltava corpo. Passou por um programa de alimentação reforçada e muito exercício com peso para ganhar massa muscular. Vivia-se o tempo da Ditadura Militar implantada no País em 1964 e o futebol incorporava métodos militares. O técnico da Seleção era o capitão Cláudio Coutinho. O Campeonato Brasileiro a cada ano tinha mais times, de todos os cantos da nação, pois o objetivo, mais do que esportivo, era o da “Integração Nacional”. Não bastava ser craque. Era preciso ser forte e resistente para suportar a maratona de jogos. De garoto subnutrido, Zico deveria se transformar em um super-homem. E ele seguia a cartilha à risca. Em 1972, aos 19 anos, fez parte do elenco campeão carioca e dois anos depois já era um dos destaques do time que ganhou o campeonato estadual.

Tanto podia avançar em velocidade, driblando os zagueiros em zigue-zague e protegendo a bola com rara eficiência, como fazer lançamentos ou cobrar faltas com maestria. Tinha um drible curto desconcertante e uma visão de jogo extraordinária. Com ele o Flamengo se tornou um dos melhores times do País, e do mundo.

Era arrepiante ouvir a massa rubro-negra que tomava as arquibancadas do Maracanã gritar seu nome, com devoção e esperança: Zico! Zico! Zico! E ele não decepcionava. Foi seis vezes artilheiro do campeonato carioca e seis vezes campeão estadual; duas vezes artilheiro e quatro vezes campeão nacional; campeão sul-americano e mundial interclubes em 1981. Com a camisa do Flamengo, que com ele viveu sua melhor fase na história, marcou 508 gols em 731 jogos.

No começo os críticos diziam que Zico só conseguia render o máximo no Maracanã, diante de sua apaixonada torcida. Mas com o tempo convenceu a todos de que se tratava de um super craque. Só não conseguiu jogar todo o seu futebol defendendo a Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1978, 82 e 86.

Em 78, na Argentina, ele foi como titular, mas, tímido, perdeu a posição para Jorge Mendonça. Em 1982 teve grandes atuações e formou um meio-campo lendário com Falcão e Sócrates, mas contra a Itália se apagou diante da marcação de Gentile e o Brasil, que só precisava do empate, foi eliminado nas quartas-de-final ao perder por 3 a 2. Em 86, voltando de grave contusão, acabou perdendo o pênalti contra a França que levaria o Brasil à semifinal.

A contusão, acontecida um ano antes (29/08/1985), em partida do campeonato carioca, contra o Bangu, foi uma das mais traumáticas do futebol brasileiro. Zico era o grande ídolo do futebol nacional e nunca mais foi o mesmo depois que Márcio Nunes esqueceu a bola e entrou com os dois pés no seu joelho esquerdo. Em meio a quatro cirurgias, o “Galinho de Quintino”, como era conhecido, se empenhou em um exaustivo programa de recuperação à base de exercícios com peso. Aos 33 anos ainda conseguiu ser convocado para a Copa de 86, no México. Em 94 partidas pela Seleção brasileira, marcou 68 gols. Em 1987 conquistou seu quarto título brasileiro pelo Flamengo.

Zico ainda jogou no humilde Udinese, da Itália, de 1983 a 85, e conseguiu ser o vice-artilheiro do Campeonato Italiano de 1983, apenas um gol atrás do francês Michel Platini, que fez seis partidas a mais e ainda pela poderosa Juventus de Turim. O Galinho de Quintino encerrou a carreira atuando pelo Kashima Antlers, do Japão, de 1991 a 94. Tornou-se um ídolo e o maior responsável pelo crescimento do futebol naquele país. Desde 2002 é o técnico da Seleção Japonesa.

Uma curiosidade: o apelido de Galinho não se deveu à sua bravura, mas sim ao costume de imitar uma galinha sempre que o pai, goleiro do time de Quintino, engolia um frango.

Entre 1990 e 91 foi Secretário de Desportos do presidente Fernando Collor, mas pediu demissão por falta de verbas. Em seguida montou seu próprio clube, o CFZ (Centro de Futebol Zico). Em 1998, atuando como coordenador-técnico da Seleção Brasileira, foi o responsável pelo corte do atacante Romário, seu desafeto. Romário havia dito que Zico fizera parte de uma geração perdedora.

Odir Cunha /blog história do futebol

Almir Pernambuquinho

Almir, o craque brigão

Uma das figuras mais extraordinárias, dramáticas e polêmicas do futebol brasileiro em todos os tempos, sem dúvida foi Almir Morais de Albuquerque, o “Almir Pernambuquinho”, nascido em Recife no dia 28 de outubro de 1937 e falecido em 6 de fevereiro de 1973, no Rio de Janeiro. A personalidade forte, aliada a uma boa técnica fez dele um jogador imprescindível nas equipes em que atuou, pois nunca deixou de mostrar dentro de campo uma disposição incomum.

Catimbeiro, valente e brigão foi o mínimo que a imprensa esportiva da época o chamou. Adjetivos que tiveram o acréscimo de desleal e mau caráter, depois de ter quebrado a perna do zagueiro Hélio, do América do Rio, em 1959. Se jogasse hoje, certamente seria chamado pelo nome moderno de “bad boy”, um jogador que cria tanto problema que ofusca seu imenso talento.

Almir foi revelado pelo Sport Clube do Recife (1956), de onde foi para o Vasco da Gama (1957 a 1960), aos 19 anos de idade, tornando-se em pouco tempo ídolo da torcida. Depois andou por Corinthians (1960), Fiorentina, da Itália (1961), Boca Juniors, da Argentina (1961), Genoa, da Itália (1962), Santos (1962 a 1964), Flamengo (1964 a 1967) e América, do Rio de janeiro (1967 a 1968), onde encerrou a carreira. Fez sete jogos pela Seleção Brasileira e marcou dois gols.

Os principais títulos de Almir foram: Super-Supercampeão pelo Vasco em 1958; campeão da Taça Brasil de 1963 e 1964 pelo Santos; Campão Paulista de 1964, campeão da Copa Libertadores da América de 1963 e do Mundial Interclubes de 1963, todos também pelo Santos Futebol Clube.

Dono de uma personalidade forte e explosiva ganhou fama de encrenqueiro e foi principal protagonista de diversas brigas. As mais famosas foram a batalha campal no jogo entre as seleções do Brasil e do Uruguai, em 1959 e a briga generalizada na final do Campeonato Carioca de 1966, jogo que ficou conhecido pela denúncia de um grande numero de jogadores na “gaveta”, inclusive o árbitro. Naquele ano, Almir atuava pelo Flamengo e, aos 26 minutos do segundo tempo, o Bangu vencia por 3 a 0.

Quase ao término do jogo, para impedir mais gols e a volta olímpica do time banguense, Almir, enfurecido, partiu para cima dos adversários distribuindo pontapés, socos e cabeçadas. Todo o mundo brigou e o juiz expulsou cinco jogadores do Flamengo, quatro do Bangu e acabou o jogo. O Bangu foi campeão, mas não deu a volta olímpica. Pesquisando jornais da época descobri algumas declarações do jogador, depois do jogo:

“Não dava para fazer outra coisa, a não ser brigar. O ponta-direito Carlos Alberto estava machucado e só fez número em campo. O nosso goleiro Waldomiro estava tremendo e não era para ter jogado. O Bangu estava em tarde endiabrada e foi empilhando gols. O “Sansão” (Airton Vieira de Morais) já havia expulso dois dos nossos jogadores. Continuasse assim, a gente ia levar um saco de gols e eu resolvi acabar com o carnaval. Quem passou pela minha frente apanhou”.

No Boca Juniors, treinado pelo técnico brasileiro Vicente Feola, campeão do mundo em 1958, Almir protagonizou uma grande confusão num jogo contra o Chacarita Juniors, pelo campeonato argentino. Ele vinha de lesão e não queria jogar. Mesmo assim foi escalado. O adversário fez 1 X 0 e a torcida vaiava Almir. Sorte, que o empate veio no primeiro tempo. Logo no começo do segundo tempo Almir arrumou uma briga, na tentativa de ser expulso junto com dois ou três jogadores do Chacarita. Mas só ele foi para a rua. Quando saía de campo, um jogador do Chacarita o ofendeu. Não deu outra. Almir acertou-lhe um violento soco no rosto e aí todo o mundo brigou. Dois jogadores do adversário foram expulsos e Almir saiu de campo como herói. Ao final, o Boca ganhou o jogo.

Ainda quando jogava pelo clube argentino, em um clássico contra o River Plate, deu uma entrada violenta em um jogador adversário, que saiu contundido. Naquela época não era permitido fazer substituição, e foi expulso. Indo para o vestiário, agrediu outro jogador do River que revidou e também foi expulso. O Boca ficou com dez e o River com apenas nove jogadores em campo.

Mas não foi só de brigas ganhas a vida de Almir. Num jogo do Corinthians, em pleno Parque São Jorge contra o Jabaquara, o valente “Pernambuquinho” encostou o pé em Célio, não menos brigão e duro zagueiro do “Jabuca”. Garoto valente, Célio não afinou, revidou na hora. O Almir ficou louco e partiu para cima. Aí é que não prestou. O jogador do Jabaquara deu um pulo para cima e mandou um pontapé na cara do atacante, que saiu de maca e não voltou mais para o jogo.

Até hoje muitas coisas são contadas a respeito de Almir, mas a maioria não passa de lenda. Os jornalistas Fausto Neto e Maurício Azedo acompanharam Almir durante três meses, quando fizeram uma entrevista que depois de publicada em capítulos semanais na revista “Placar” virou o livro “Eu e o Futebol”. No depoimento, além de fatos de sua vida e denúncias dos bastidores do futebol, constam divertidos diálogos com os treinadores Renganeschi e Yustrick.

O técnico Armando Renganeschi, argentino exigente, perguntou ao jogador, porque bebia tanto. E a resposta: “Olha, seu Renga, não paro por duas coisas. Porque gosto e a bebida não me prejudica. Eu não treino direito? Não estou sempre em forma? Alguma vez deixei de jogar a não ser por contusão grave?”. Renganeschi bateu nas costas de Almir e foi embora.

Com o técnico Iustrick, também famoso pela intolerância, teria acontecido este diálogo: “Almir, você não acha que Copacabana fica muito distante do Vasco?”. E Almir: “Não acho não”. Iustrick: “Mas eu acho que você tem que morar perto do Vasco”. Almir: “Eu não”. Iustrick: “Estão escolhe, o Vasco ou Copacabana”. Almir: “Copacabana”. E Iustrick não tocou mais no assunto.

Em cada time que passou, Almir foi reverenciado: “O menino durão do Vasco”. “O homem furioso do Flamengo”. “O herói da “Bombonera”, no Boca Juniors. “O garoto que brigou pela seleção com meio time uruguaio”. “Um homem próspero, tomador de cerveja que sempre amou uma coisa: a vitória”. Quando de sua ida para o Corinthians foi chamado pelo folclórico presidente Vicente Matheus, de "Pelé Branco".

Quando jogou no Santos o famoso escritor Nelson Rodrigues o chamou de "Divino Delinqüente", depois de uma brilhante atuação no jogo final do Mundial Interclubes de 1963 contra o Milan. Os dois times vinham de duas partidas eletrizantes, onde cada um havia vencido por 4 X 2. Vejam o que é o destino: no terceiro e decisivo jogo, em 16 de novembro, Pelé se machucou aos 30 minutos do primeiro tempo e Almir o substituiu. Jogou um partidaço: fez um gol e ainda sofreu o pênalti inexistente que resultou no gol do título para o Santos.

No livro “Eu e o Futebol”, chama atenção duas revelações de Almir relacionadas a esse jogo decisivo contra o Milan: ter entrado em campo dopado e sabendo que o árbitro Juan Brozzi estava "comprado", assim poderia bater a vontade sem ser expulso.

Esse foi Almir, considerado o atacante mais brigão e corajoso da história do futebol brasileiro e mundial. Sua coragem e personalidade forte lhe custaram a vida. O jornalista Mário Prata, que presenciou tudo naquela noite fatídica de 6 de fevereiro de 1973, no bar “Rio-Jerez”, frente a Galeria Alaska, em Copacabana escreveu uma crônica no jornal “O Estado de São Paulo”, em 12 de janeiro de 1994, quando dos 20 anos da morte do jogador, contando como foi o crime.

Em uma mesa estavam o Almir, uma namorada e um casal de amigos. Na mesa de trás, três portugueses. Na frente da mesa de Almir, os atores gays do espetáculo “Dzi Croquetes”, ainda maquiados depois de mais um dia de trabalho. Os portugueses resolveram caçoar dos atores, chamando-os de veados, paneleiros e outras coisas. Almir não gostou do que ouviu e resolveu defender os atores, que não reagiram. Começou a discussão, até que um dos portugueses sacou um revólver, o amigo de Almir sacou outro e o tiroteio rolou solto no calçadão da Avenida Atlântica.

Os outros dois portugueses também sacaram as armas, os atores gritavam, foi uma correria, mesas foram viradas e pelo menos uns 30 tiros disparados. Quando o tiroteio parou, lá estava Almir no chão, já morto com um tiro na cabeça. Os portugueses saíram correndo. Debaixo de um coqueiro, o amigo de Almir agonizava com um tiro nas costas. Morreu ao dar entrada no hospital. As duas namoradas, apavoradas, gritavam. O resto foi silêncio. Esse crime nunca foi esclarecido pelas autoridades. Os portugueses sumiram e o grupo “Dzi Croquetes” há muito tempo não existe mais.

Fim trágico para quem nunca teve medo de nada. E por uma dessas armações que a vida prega, o violento e machão craque brasileiro morreu defendendo um grupo de homossexuais. No velório de Almir, sua mãe, dona Dedé, aos prantos gritava: "Meu Deus, para quê tanta glória? Preferia meu filho desconhecido, mas vivo".

Texto e pesquisa: Nilo Dias

http://nilodiasreporter.blogspot.com/search?updated-min=2008-05-01T00%3A00%3A00-03%3A00&updated-max=2008-06-01T00%3A00%3A00-03%3A00&max-results=34

domingo, 21 de setembro de 2008

Jair Rosa Pinto


Jair Rosa Pinto

Nascido no dia 21 de março de 1921 na cidade fluminense de Quatis, Jair Rosa Pinto iniciou a carreira de jogador profissional no Madureira, clube do subúrbio do Rio de Janeiro, em março de 1938. No Madureira, surgiu para o futebol integrando um trio infernal e inesquecível de atacantes: Lelé, Jair e Isaías. Foram apelidados de “Os Três Patetas”. Ali ficou até 1943.

Em meados de 1943, pouco antes do início do campeonato carioca, Jair deixou um subúrbio mais distante, servido pelos trens da Central do Brasil e “mudou de vida”, passando para um clube, também do subúrbio, mas um pouco elitizado. Foi jogar no Clube de Regatas Vasco da Gama, clube de estrutura montada no bairro São Cristóvão.

Em São Januário “Jajá da Barra Mansa” ficou até o início de 1948. Ali foi sondado pela primeira vez, para ser convocado para defender a seleção brasileira. Foi campeão carioca pelo clube cruzmaltino em 1945 e em 1947.Em 1948 foi convidado e resolveu se transferir para o Clube de Regatas Flamengo, onde, finalmente, foi convocado para a seleção brasileira, tendo sido campeão Sul-Americano em 1949. Pela seleção brasileira, Jair atuou em 41 partidas (25 vitórias, 5 empates, 11 derrotas) e marcou 23 gols. Foi no clube rubro-negro carioca que Jair encontrou Zizinho . No final de 1949 terminaria o ciclo de Jair Rosa Pinto no futebol carioca. O jogador, já famoso, mudou para São Paulo.Em 1950 Jairchegou ao Palmeiras, para ser campeão paulista. Convocado para a seleção brasileira, defendeu a amarelinha na Copa de 1950, na tão badalada derrota para o Uruguai em pleno Maracanã. Em 1951, Jair Rosa Pinto foi campeão da Copa Rio pelo Palmeiras, permanecendo no clube periquito até 1955.Jair, que odiava ser chamado de Jair “da” Rosa Pinto, nunca se conformou com uma coisa: não ter ganho a Copa de 50, no Maracanã. “Isso eu vou levar para a cova, mas, lá em cima, perguntarei para Deus por que perdemos o título mais ganho de todas as copas, desde 1930”, brincava, lamentando profundamente, o mestre Jajá.

Jair chegou ao Palmeiras após vestir a camisa do Flamengo e do Vasco, e disputar a Copa de 1950 com a Seleção Brasileira. Lá ficou até 1955, onde foi ídolo incontestável. Pelo Palmeiras, Jair Rosa Pinto fez 241 jogos (141 vitórias, 55 empates, 45 derrotas) e anotou 71 gols. Conseguiu o título paulista de 1950 e a Copa Rio de 1951.

“Jair foi personagem principal de uma das partidas mais emocionantes da história do clássico entre São Paulo e Palmeiras, o famoso Choque-Rei. No dia 28 de janeiro de 1951, o Palmeiras entrou em campo contra o São Paulo, jogando pelo empate. A partida era válida pelo campeonato paulista de 1950, e as duas equipes, que vinham disputando o título ponto a ponto, tinham chance de levantar o caneco. Debaixo de muita chuva o São Paulo conseguiu abrir o placar. Teixeirinha bateu, a bola desviou em Turcão (zagueiro palmeirense) e morreu no fundo das redes do goleiro Oberdan Catani. Após o árbitro inglês Alwyn Bradley decretar o fim do primeiro tempo, os jogadores do Palmeiras, devidamente abatidos, desceram ao vestiário e foram surpreendidos por Jair, que aos berros exigiu raça ao time verde. “No intervalo, ele chegou para seus companheiros e disse:- A única chance que temos é a seguinte: todo mundo que pegar a bola, toca pra mim que eu vou lançar pra frente. Uma hora faremos um gol”, lembra o jornalista Cláudio Carsughi.E foi isso que aconteceu. Aos 15 minutos do segundo tempo Jair dominou e fez um de seus incríveis lançamentos. A bola parou em uma poça do inundado Pacaembu e sobrou para Aquiles, que empatou a partida e garantiu o título ao alviverde do Parque Antártica.”

No final de 1955, ele saiu brigado do Palmeiras, foi para o Santos. Lá também foi campeão por mais de uma vez. Em 1956 Jair Rosa Pinto ingressou no Santos Futebol Clube. No clube da Vila Belmiro foi campeão paulista em 1956, 1958 e 1960. Foi vice-campeão em 1959. No Santos, em 1959, quando foi vice-campeão paulista, deu aulas especiais de comportamento, posicionamento em campo e de chute a gol ao menino Pelé.Chegou o ano de 1961 e, com ele a mudança de Jair Rosa Pinto para o São Paulo. Ali ficou até meados de 1963. Foi lá que, mais uma vez, encontrou o “Mestre Ziza”.Para quem não sabia, Jair chegou ao São Paulo no final de sua carreira. Jogou pelo Tricolor entre 1961 e 1963. Atuou em 31 partidas (20 vitórias, quatro empates, sete derrotas) e marcou apenas 2 gols.

Encerrou sua passagem pelo São Paulo dirigindo a equipe em janeiro de 1963. Em 1963 e 1964, Jair Rosa Pinto ainda defendeu a Ponte Preta de Campinas/SP.Jair Rosa Pinto, o “Jajá” para alguns, e o “Jajá da Barra Mansa” para a grande maioria, pode ser considerado um dos poucos gênios da bola que a natureza da vida ofereceu ao futebol. Sem sequer ter conhecido os aparelhos de musculação de hoje, ou fórmulas mirabolantes que ajudam na força do chute e na precisão dos passes de média e longa distância, “Jajá”, com suas “canelinhas finas”, foi um dos maiores chutadores do futebol mundial em todos os tempos.Uma vez, o jornal A Gazeta Esportiva chegou a oferecer 30.000,00 (trinta mil cruzeiros, a moeda daquela época) para o goleiro que defendesse um chute de falta do Jair. Caxambu, da Portuguesa, era a maior vítima dos coices de mula, de Jajá da Barra Mansa.Jair Rosa Pinto morreu na madrugada do dia 28 de julho de 2005, vítima de embolia pulmonar. O maravilhoso e inesquecível meia-esquerda do Vasco da Gama e do Palmeiras (dentre tantos times), durante os anos 40, 50 e início de 60, estava internado no Hospital da Lagoa, na zona sul do Rio de Janeiro, onde se recuperava de uma cirurgia no abddômen.O corpo do jogador, que residia no bairro da Tijuca, na capital carioca, foi velado no cemitério do Caju, zona portuária do Rio de Janeiro, e cremado, no mesmo dia de sua morte.Ele passava boa parte do seu tempo cuidando dos muitos passarinhos que criava e revivendo mentalmente os seus tantos e tantos anos de glória no futebol, como jogador (principalmente) e como técnico.

Clubes

1938-1942: Madureira-RJ
1943-1946: Vasco da Gama-RJ
1947-1949: Flamengo-RJ
1949-1955: Palmeiras-SP
1956-1960: Santos FC-SP
1961: São Paulo FC-SP
1962-1963: Ponte Preta-SP

Títulos por equipe

Campeonato Carioca: 1945, Copa Roca: 1945, Copa Rio Branco: 1947, 1950, Copa América: 1949, Campeonato Paulista: 1950, 1955, 1956, 1958, 1960, 1961, Mundial dos Clubes FIFA: 1951, Copa Rio de Janeiro: 1951

sábado, 13 de setembro de 2008

Heleno de Freitas

Heleno no Vasco da Gama; Heleno no América

Heleno de Freitas

Data de Nascimento: 12/12/1920
Local: São João Nepomuceno
Data de Falecimento: 08 de Novembro de 1959

Clubes:
Botafogo, Vasco da Gama, Boca Juniors, Atlético de Barranquilha (Colômbia), Santos e América (RJ).

Títulos

Campeão Carioca: 1949 (Vasco da Gama)
Copa Rocca: 1945 (Seleção Brasileira
Copa Rio Branco: 1947 (Seleção Brasileira)


Centroavante


Heleno, o craque, o artista da bola, o mito do futebol, o artista das multidões, o craque galã, o diamante branco, a elegância do futebol, são adjetivos, que perfeitamente se enquadram a figura ímpar de um gênio Chamado Heleno e alguns desses fazem parte do somatório de homenagens, que ao decorrer dos anos serviram também como meio de imortalizar o grande ídolo. Foi com a bola nos pés, levando a torcida ao delírio que Heleno deixou a marca de sua genialidade, se tornando uma das mais ricas histórias do futebol brasileiro.Seu futebol encantou o mundo e lhe rendeu fantásticas expressões e frases de grande efeito, como a que se encontra na estátua em sua homenagem em Barranquilla na Colômbia "EL JOGADOR".

Advogado, boêmio, catimbeiro, boa vida, arrogante, galã, mas um homem nervoso, quase intratável. Depois de onze anos jogando futebol, Heleno de Freitas entrou para a história como um dos maiores craques do futebol sul-americano. Suas jogadas e gols deslumbraram os torcedores.
Começou em 1934 jogando pelo juvenil do Botafogo, clube que aprendeu a amar, e logo se tornou sócio-atleta. Ainda nos juvenis, teve um rápida passagem pelo Fluminense. Retornou ao Botafogo onde permaneceu até 1948, quando foi contratado pelo Boca Junior da Argentina, onde passou pouco tempo. Quando voltou ao Brasil, vestiu a camisa do Vasco da Gama onde conquistou seu único título de campeão carioca em 1949. Brigou com o treinador Flávio Costa e foi jogar na Liga Pirata da Colômbia. Em 1951 retornou ao Brasil e assinou com o América carioca. No clube de Campos Sales somente jogou 35 minutos e foi expulso. Foi também, seu primeiro e único jogo no Maracanã. A partida foi contra o São Cristovão e o América perdeu por 3x1.

Em 1940, ele foi o centroavante botafoguense na excursão ao México e no certame carioca. Pelo mundo, exibiu criatividade, valentia e técnica. Em toda parte, ainda, atiçando o mulherio, os traços das suas beleza, elegância e inteligência. Mulherengo como o diabo, transava com qualquer raça e classe, alvinegra ou não. No Botafogo, obsessivo, quis incessantemente ser campeão. Mas até 1947 (seu último ano no clube), o único título que obteve foi o de bacharel em direito - diploma inútil para Heleno de Freitas, sem afã de advogar, ser delegado de polícia, promotor ou juiz.

Em 1945, pela seleção, fez o sul-americano no Chile, do qual saiu artilheiro. Ano seguinte, em Buenos Aires, deu show em outro sul-americano. E divergiu do técnico Flávio Costa no vestiário, onde o escrete se refugiara da pancadaria portenha. Apesar das hostilidades, Flávio exigiu a volta ao jogo. O brigão Heleno avisou que era temerário, pois talvez saíssem inutilizados. E essa hipótese, acresceu de Freitas, não se aplicava a ele, que tinha do que viver - no que foi apoiado pelo ponteiro Chico. Todavia, irredutível, o técnico impôs a volta. E pimba: pau generalizado. Na briga, os que mais apanharam - e bateram - foram Heleno e Chico, o que ficara com a sensata tese do botafoguense no refúgio do vestiário. Assim, o Brasil perdeu no placar e no braço. E o centroavante, coitadinho, ganharia a eterna inimizade do treinador Flávio Costa.

Com a fúria com que se portara na Argentina, ficou claro que Heleno estava doente. E ninguém sabia que era de sífilis cerebral, associada ao gênio difícil. A doença o atritava com cartola, companheiro, adversário ou juiz. E ao clube era prejudicial as expulsões de campo. Pior, a torcida inimiga descobriu como irritá-lo apelidando-o de Gilda - personagem sensual e neurótica de Rita Hayworth no cinema. Aí, só restou a proposta do Boca Juniors, em 1948: comprá-lo por um punhado de dólares. Isso magoaria o clube e o craque que, como deus e diabo, se amavam tanto, freudiana e dialeticamente prisioneiro um do outro... Nesse ano, Nílton Santos dava os primeiros passes no Botafogo. E Heleno casou com Hilma, filha de diplomata, colega do poeta Vinícius de Moraes. Este, dedicou ao noivo "Poema dos Olhos da Amada" - obra que seria seresta na voz do cantor Sílvio Caldas. Nessa época, entristecido, o futebol do Brasil percebeu que Heleno de Freitas, tão íntimo da bola, jamais se entenderia com os homens.

Heleno de Freitas era quase perfeito em tudo. Nos gols de classe. Nas jogadas de alta categoria. E nas cabeçadas maravilhosas. Entretanto, Heleno estava doente e não sabia. A sífilis corroia sua cabeça e isso lhe criava muitos problemas. Às vezes, não entendia os erros dos companheiros que lhe passava uma bola errada. Por isso, brigava com os colegas, xingava os adversários, discutia com os árbitros. Se Heleno de Freitas não fosse um craque maravilhoso, ninguém o suportaria. Foi campeão brasileiro e sul-americano defendendo por muitos anos as seleções cariocas e brasileiras.

Heleno ganhou fama e dinheiro. Viveu sempre entre mulheres bonitas e homens inteligentes. Em Buenos Ayres, quando jogou pelo Boca Junior, se tornou intimo da família do presidente Peron. No Museu do Esporte, existente na Colômbia, foi erguido um busto em sua homenagem e as grandes jogadas que tanto encantaram os colombianos.

Heleno nunca quis ir ao um médico para fazer um exame rigoroso e um tratamento sério da doença que o atormentava. Ele era genioso e quando abandonou o futebol, por insistência de amigos e parentes, foi examinado e constatado sífilis na cabeça em estado bastante adiantado. Heleno teve que ser internado num sanatório na cidade de Barbacena em Minas Gerais. No dia 8 de dezembro de 1959, a imprensa brasileira noticiava a morte Heleno de Freitas. Morria um dos mais elegantes jogadores do futebol brasileiro. O enterro aconteceu na sua cidade natal, São João do Napomuceno, em Minas Gerais. Morreu longe da torcida, dos dirigentes e com companheiros. Entretanto, a cidade chorou a perda do seu filho mais ilustre.

Em Buenos Aires, o tormento psíquico afastou-o da mulher grávida. E sem ele o Botafogo ganharia o título de 48. Não agüentando, Heleno foi para o Vasco no início de 1949. Em São Januário, fez-se campeão pela única vez na carreira. Viveu em paz até que, num coletivo, saiu de campo esbravejando: "Estes dois (apontou Maneca e Ipojucan) não me passam a bola porque não querem. Aqueles (indicou) não passam porque não sabem. Não tenho nada a fazer aqui". Mais adiante, discutindo com Flávio Costa, apontou uma arma descarregada. Foi o bastante para que o Vasco o liberasse para o Atlético de Barranquilla, da Colômbia, onde jogavam Tim e outros astros.

Em 1953, a família o internou na mineira cidade de Barbacena, onde um amigo dele era médico numa casa de saúde. No início, o sifilítico embrenhou-se nas trevas insondáveis da loucura. Depois, uma revista o mostraria de pijama, obeso e triste. Por fim, só como um navio sem porto e sem condição mental de pedir um padre, ele morreu em 8 de novembro de 1959. Isso sem saber que o País vencera na Suécia. Sem saber que seria filme (Heleno, de Gilberto Macedo) ou peça teatral (Heleno-Gilda, de Edilberto Coutinho). E sem tempo para ler isto de Armando Nogueira: "O futebol, fonte das minhas angústias e alegrias, revelou-me Heleno de Freitas, a personalidade mais dramática que conheci nos estádios deste mundo".

Fonte: http://www.botafogopaixao.kit.net/helenodefreitas.htm